Esta caminhada deu início em Junho de 2006, chega às minhas mãos o primeiro Basset Fauve de Bretagne! Uma raça que não tinha tido um contacto direto, até então, mas não foi necessário muito tempo para perceber que estava perante uma raça de caça de eleição, um caçador nato!
No desenrolar do tempo fui absorvendo o máximo de informação, tentando perceber todas as virtudes e desvirtudes da raça, como em todas as raças. E desta forma desenvolver a minha própria linha de sangue, enquadrada no que considero ser o ideal, tentando contornar as imperfeições e dar enfase às virtudes, tanto ao nível da linha de Trabalho como na linha Morfológica.
 
Desenvolver uma linhagem em conjunto, Trabalho e Morfologia é uma tarefa mais difícil, mas ao mesmo tempo mais aliciante.

Descendendo de sangues conceituados da raça, linhas de trabalho/caça fundamental para obter uma matilha de qualidade, no entanto o objetivo é sempre melhorar, procurar a perfeição mesmo sabendo que ela é impossível de alcançar.

 

Passando por selecionar a partir dos exemplares superiores, explorando atributos base no Trabalho:

 

  • O Carácter e Temperamento,

  • A Paixão pela Caça,

  • O Olfato

  • A Morfologia

 

são estes os principais traços explorados. 

 

Sem nunca introduzir sangues de outras raças, prática comum no nosso país, um erro enorme que felizmente parece estar a desvanecer. A verdadeira seleção passa sempre por apurar na raça.

Carácter/Temperamento: são sem dúvida as características mais difíceis de trabalhar numa linha de cães de caça, pela sua óbvia complexidade.

O carácter como definição é a totalidade de todos os elementos psíquicos herdados e aprendidos que têm como resultado o comportamento do animal, ou seja, o carácter é herdado na sua componente genética é adquirido na sua componente ambiental e é moldado através da aprendizagem.

 

No carácter aquilo que procuro, são cães dóceis, sociáveis e curiosos, com entrega natural sem serem temerosos ou submissos

 

No Temperamento como definição é o nível de resposta do cão perante estímulos excitatórios.

 

A seleção incide sobre cães excitáveis e nunca sobrexcitados e muito menos hiperativos.

Um cão Excitável é um cão saudável, ao contrário de cães Sobrexcitados e Hiperativos

Um cão Excitável é um cão equilibrado, um cão com absoluto controlo da sua atividade nervosa, muscular, mental. Tem que ser o estímulo pela caça que o torna intenso, energético e explosivo, nada mais.

 

Os cães equilibrados são uma delícia na caça e o mais importante são saudáveis, caçam pelo prazer de caçar, não padecem de ansiedade, não “sofrem” no canil, não ladram sem motivo aparente, são animais dúcteis e manejáveis, fiéis e leais, companheiros de caça de igual para igual, sólidos de carácter.

 

Os cães Sobrexcitados apresentam complicações óbvias, estão no limite do saudável, acima do desejável. Padecem de ansiedade, sofrimento emocional consequência de uma psicologia um "ponto" ligeiramente acima do desejável. São animais nervosos que necessitam de um gasto energético diário muito forte, são problemáticos no canil.

 

Os cães Hiperativos são excessivamente ativos no canil, saltos incontrolados durante todo o dia, voltas e voltas em perseguição, sem se perceber do quê, latidos sem qualquer motivo ou razão.  Ansiedade crónica, desequilíbrio emocional, desequilíbrio nervoso, incapacidade de controlo locomotor e muscular, diretrizes e comportamentos absolutamente inadequados, paixão pela caça que deriva de obsessão.

Paixão pela Caça: uma característica fundamental, associada à desenvoltura, vivacidade, intrepidez, tenacidade, dureza e… inteligência! Uma relação que tem que estar subjugada ao Carácter e Temperamento de forma a criar um equilíbrio no seu todo.

 

Um cão somente memoriza situações vividas e logo aplica-as noutras situações similares, este trabalho é realizado com maior precisão, mais que os próprios humanos: O homem é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra!

 

Esta forma de proceder junto com a sua carga genética-instintiva, conforma a inteligência do animal.

Nem todos os exemplares apresentam o mesmo grau de inteligência, alguns cães mostram detalhes desde tenra idade, nas suas brincadeiras, na relação com o dono e com os outros cães, demonstrando um grau de inteligência superior aos outros.

 

Um cão inteligente requer uma cuidada atenção desde muito jovem (como no caso das crianças superdotadas) a inteligência qualidade especial e excepional deve ser bem aproveitada, deve seguir em consonância com a iniciativa e empenho, para que não acabe por fazer prevalecer a sua vontade.

 

Necessita de uma boa dose de Paixão pela Caça, para que não “vaguei” e deixe o trabalho duro para os outros cães da matilha e por sua vez se aproveite do trabalho feito pelos outros (levante), situação que infelizmente se dá com frequência, compete-nos trabalha-lo em cachorro, de forma a não criar maus hábitos.

 

Um cão de caça que seja inteligente nunca deixa de surpreender ao longo da sua vida, pois nunca termina de processar e armazenar situações, aplicando-as de imediato na caça, inclusive já com idade avançada. Assimila rápidamente a distinção dos rastos frescos, dos velhos, graduando o seu olfato tão rápido e de forma tão precisa que parece ter maior capacidade olfativa que os outros exemplares

Olfato: Posuir um nariz apurado (fino de nariz), para que todas as restantes faculdades referidas tenham impacto.

O que faz um cão ou determinada raça ter maior capacidade olfativa em relação a outras é a sua anatomia em função da relação crânio + focinho.

 

A anatomia do nariz do cão tem uma orientação que permite ampliar o campo olfativo. Ao inspirar o ar, as moléculas de odor separam-se em duas correntes:

A primeira vai para os pulmões, tal como ocorre com todos os mamíferos e uma segunda corrente é dirigida para o cérebro diretamente para as células olfativas, mediante a qual o reconhecimento de odores pelo cão é fixo em forma, imagem olfativa. Desta forma, cada um dos odores é reconhecido como um sinal de certas circunstâncias e sempre que o animal volta a sentir um odor conhecido, sabe exatamente a que circunstância corresponde.

 

A forma do crânio e do focinho do cão são preponderantes no olfato, desta forma existem três tipos:

 

Braquicefálicos: Crânio redondo e focinho curto., largura do crânio = comprimento do crânio, incluído o focinho. (ex: bulldog, pug, boxer).

 

Dolicocefálicos: Crânio e focinho alongado. (ex: galgo, border collie)

 

Mesocefálicos: Crânio e focinho proporcionados, a largura do crânio = ½ comprimento do crânio incluindo o focinho.

 

Os Braquicefálicos e Dolicocefálicos têm menor capacidade olfativa que os Mesocefálicos, uma vez que as cavidades nasais muito curtas ou muito longas impedem a correta condução dos eflúvios odoríferos.

Os cães de rasto (sabujos) para além de serem Mesocefálicos e da sua anatomia perfeita têm também outras características que os diferenciam de outras raças.

 

Sendo capazes de perseguir um rasto por longas distâncias, em muitos casos até mesmo em água corrente. Os sabujos são cães da rasto por natureza, para além das narinas profundas e abertas, os lábios apresentam-se soltos e húmidos projetados para captar as partículas odoríferas.

 

As orelhas são compridas e caídas ao longo do corpo, o arrastar e o movimento das mesmas faz com que elas concentrem o odor e criem uma espécie de cone, concentrando as substâncias odoríferas dispersas, auxiliando e orientando no trajeto do rasto da presa.

Morfologia: Preferencialmente exemplares com membros mais altos, nunca passando os 38 cm de altura (altura limite, podendo chegar aos 40cm no caso de exemplares excecionais).

 

O Estalão do BFB foi extremamente bem desenhado permitindo trabalhar as linhas, entre os 32 e 38 cm, em função das nossas preferências, um centímetro de altura num cão de caça ao coelho, faz diferença.

 

Em relação à estrutura óssea do ponto de vista anatómico, entendendo-se como o conjunto das partes mais resistentes do corpo que determina sua disposição espacial, que lhes dá sustentação, pretende-se que não seja muito larga, de forma a não tornar o exemplar muito pesado, obtendo assim cães mais ágeis e rápidos.

 

Relativamente á pelagem dura como é característica na raça, mas nunca excessivamente comprida, o início da época cinegética é quase sempre em época quente e os cães sofrem menos.

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